Santos Cruz

Política

Um governo infestado de comunistas…


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Pelas vias tortuosas da mente de Carlos Bolsonaro, vamos descobrindo que as Forças Armadas brasileiras são uma instituição tão invadida por comunistas que para ele se torna mesmo um grande perigo aceitar segurança militar. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência está entranhado de petistas, caso do sargento preso com 39 quilos de cocaína que transportava dentro do avião presidencial. Parece incluir-se entre a turma o próprio general Augusto Heleno, que há alguns meses era tido como um dos principais conselheiros do presidente Jair Bolsonaro. Que perigo!

São também comunistas e petistas os integrantes do Movimento Brasil Livre. Esses devem agregar ao esquerdismo perigosos componentes de feitiçaria, de bruxaria. Afinal, conseguem ao mesmo tempo defender a livre iniciativa e a distribuição de renda. Professam o original caminho de atingir a igualdade pela meritocracia. Como diz o famoso meme que circula pela internet, são um caso a ser investigado pela Nasa.

A cada dia que passa, vai-se descobrindo um número maior de esquerdistas e comunistas denunciados nos posts de Carluxo ou nos cartazes distribuídos nas passeatas que viraram um esporte nacional quase tão querido quanto o futebol. Vai ficando difícil entender como essa perigosa multidão de infiltrados no Exército, nos movimentos liberais, no empresariado, no Judiciário, nos partidos políticos, etc, não foi capaz de vencer as eleições do ano passado. O velho da Havan já mandou a jornalista Raquel Sheherazade para Cuba…

Tudo isso poderia ser somente uma engraçada excentricidade destes nossos tempos se não estivesse gravemente contaminando o governo. Fica difícil não acreditar que de alguma forma o presidente Jair Bolsonaro não ratifica esse tipo de pensamento. Principalmente depois da demissão do ministro Santos Cruz da Secretaria de Governo. Desde o início, desde a saída de Gustavo Bebianno, a verdade é que Carluxo vem ganhando todas as paradas.

O que parece acontecer é que, a partir das diatribes de Carluxo nas redes sociais, Bolsonaro vai limando do governo os que se uniram a ele na campanha com o intuito de controlá-lo. Como já se disse por aqui, Bolsonaro construiu sua candidatura partindo de uma base de cerca de 15% da sociedade que aderiu fortemente às suas ideias. É a parcela mais sólida dos chamados bolsomínions, que o tratam como “mito”. Uma musculatura forte o suficiente para colocá-lo competitivo no jogo. Com isso, ele foi se consolidando como a mais viável alternativa capaz de derrotar o PT e por fim à sua era. Assim, aderiram a ele militares, liberais e outros grupos que, longe de serem partidários fieis, somente queriam vencer o PT.

Militares; os liberais do ministro da Economia, Paulo Guedes; os procuradores e policiais trazidos pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, seriam a força competente de fato à frente do governo do capitão. Aparentemente, Bolsonaro, seis meses depois, resiste a esse monitoramento. Defenestra a base militar. Surfa nos problemas de Moro para inverter a equação no caso dele – Bolsonaro menos dependente de Moro; Moro mais dependente de Bolsonaro. Mantém Guedes isolado à negociação da reforma da Previdência – e sem muitas vezes a necessária ajuda na articulação política.

O problema é que, retirados militares, liberais e a turma que defende mais a Lava Jato e menos o governo, o que fica é clara minoria. Uma fórmula muito mais capaz de gerar atritos que soluções. A parcela mais fiel ao bolsonarismo e à extrema direita terá que produzir resultados melhores que as piadas de gosto duvidoso do ministro da Educação, Abraham Weintraub…

Política

O efeito reverso das denúncias contra Moro


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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil-EBC

O Instituto Paraná Pesquisas, do cientista político Murilo Hidalgo, divulgou nesta terça-feira (25) pesquisa que merece muita atenção. Murilo gosta de fazer curtas apurações sobre temas relevantes da nossa pauta política, que servem como bússolas importantes dos caminhos que o país tende a seguir. Desta vez, ele fez somente duas perguntas a 2.264 pessoas de 176 municípios dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal, entre os dias 17 e 21 de julho. A primeira pergunta foi se a pessoa tinha tomado conhecimento das denúncias do WikiJato do The Intercept Brasil, que apontam para um conluio entre o hoje ministro da Justiça, Sérgio Moro, quando era juiz e os procuradores da Lava Jato. A segunda pergunta foi: isso põe em dúvida os resultados da operação?

A resposta à primeira pergunta aponta para um nível bem alto de conhecimento dos diálogos que o site The Intercept Brasil vem publicando, agora em parceria com outros veículos. Nada menos que 86,7% dos entrevistados disseram ter tomado conhecimento das publicações. A segunda pergunta mostra que isso pode ter provocado certo abalo na credibilidade da Lava Jato, mas longe de ser o suficiente para mudar a convicção da maioria da sociedade quanto à sua importância. Para 38,1% dos entrevistados, o que vem sendo publicado põe, sim, em dúvida os resultados da operação. Mas para 56,1%, isso não aconteceu. Esse grupo, que constitui a maioria, continua convicto da importância da operação que engaiolou um expressivo número de políticos e empresários brasileiros.

Fica claro aí um efeito reverso das denúncias, do qual o presidente Jair Bolsonaro e Sérgio Moro já parecem ter se dado conta. As publicações do The Intercept parecem ter recolocado a disputa político no terreno que Bolsonaro mais gosta: o da polarização absoluta dele com Lula, de seu grupo com o do PT. E não é por outra razão que Bolsonaro animou-se a, desde já, lançar-se no terreno da reeleição.

Enquanto ficam completamente desaparecidos do noticiário os fatos que poderiam questionar o próprio Bolsonaro e seu grupo enquanto representantes da moralidade política como se pretendem – as histórias que envolvem laranjas, milícias, Fabrício Queiroz, o senador Flávio Bolsonaro, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, etc – parte-se para cima de Sérgio Moro. Questiona-se de forma dura sua imparcialidade. Mostra-se que ele, de fato, no mínimo, flertou profundamente com os limites das suas funções para alcançar condenações, especialmente a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

E eis que voltamos, então, àquele ponto que alçou Bolsonaro à Presidência. As denúncias reanimaram o Lula Livre. E a liberdade de Lula voltou a ser a referência da oposição. Ocorre que, se Lula aglutina os seus, é ele que aglutina também os que se opõem a ele. Foi a impressão de que Bolsonaro era o único capaz de derrotar o PT – e, consequentementemente, derrotar Lula – que fez com que seu eleitorado se ampliasse além dos 15% originais, angariando o empresariado, o meio militar, os liberais.

Por conta das trapalhadas de seu próprio estilo, Bolsonaro vinha perdendo o apoio além dos seus 15%. Porque insiste em falar somente para eles. Ainda perde, por conta de episódios como o da demissão do general Santos Cruz. Ou das brigas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Mas a ameaça à Lava Jato cria um novo fator de união. Talvez nem pelos riscos ao combate à corrupção. Mas pelos riscos de se ver Lula novamente solto e em campanha.

As avaliações de que o episódio enfraquece Moro e o joga no colo de Bolsonaro talvez sejam um pouco simplistas. O que na verdade parece ter acontecido é que elas uniram novamente o presidente e seu ministro da Justiça. Se antes Bolsonaro vinha largando o ministro de lado, porque ele às vezes atrapalhava sua pretensão de falar somente para seus 15%, agora o presidente voltou a ver em Moro a chance de retornar ao velho FlaXFlu que ele gosta de jogar.

Lula é, ao mesmo tempo, o calo e o trunfo de Bolsonaro. Seu maior inimigo, mas também seu adversário predileto. Há algo nessa relação que lembra uma canção de João Bosco e Aldir Blanc, “Siameses”, cujos versos dizem: “Amiga inseparável/Rancores siameses/Nos unem pelo olhar/Infelizes pra sempre/Em comunhão de males”…

Política

O governo mais ideológico da história?


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Foto: Valter Campanato/Agência Brasil-EBC

Talvez para todo o sempre – mas certamente até aqui -, o modelo que segue administrando nossa correlação de forças políticas ainda é o criado após o fim da ditadura de Getúlio Vargas em 1945. Naquele momento, e até o golpe militar de 1964, fomos regidos por um triunvirato formado por PSD, PTB e UDN. A UDN era o partido conservador, de direita, surgido com a ascensão da classe média urbana e de seus profissionais liberais. O PTB era o partido trabalhista, de esquerda, que unia sindicatos e movimentos de trabalhadores, braço do getulismo. E o PSD a grande conformação de centro, que unia os caciques regionais. Brilhantemente retratado no livro da cientista política Lucia Hippolyto – “PSD, de Raposas e Reformistas” -, era o partido que garantia a governabilidade, impedia maiores arroubos e mantinha a fórmula estável.

A ditadura militar acabou com os partidos pós-1945. Quando houve a redemocratização, surgiram novas legendas. Houve uma maior diluição, e a criação de partidos que não são absolutamente nada, não têm ideologia nenhuma e atuam como parasitas a sugar a seiva de quem quer que chegue ao poder. Mas, por trás dessa geleia, parece sobreviver o espírito do triunvirato PSB, PTB e UDN. A UDN está em todas essas conformações de direita. Não por acaso, num momento em que a direita ascende, há gente aí inclusive tentando ressuscitar a sigla. O PTB está no espírito trabalhista dos nossos principais partidos de esquerda. O PDT como herdeiro original, o PT tentando inicialmente fazer um contraponto ao antigo trabalhismo, para, na prática, não ser lá tão diferente.

Mas é principalmente o PSD que parece estar no cerne do espírito da busca da coalizão para a manutenção da governabilidade. E, aqui, não falamos necessariamente da coalizão distorcida. Da governabilidade mantida a partir do toma-lá-dá-cá, do fisiologismo, do “É dando que se recebe”. Mas da coalizão saudável. Da necessidade de concertação diante dessa multidão de partidos, numa sociedade multifacetada.

Até a eleição de Jânio Quadros, o PSD deu um jeito de manter a governabilidade apesar dos arroubos da direita extremada doida para dar um golpe. Quando Jânio se elegeu, imprevisível, o arranjo de concertação foi pro vinagre, e deu no que deu.

Não são poucos agora os que sentem um cheiro de Jânio no ar. Além do grau de imprevisibilidade parecido, soma-se agora a extrema casca ideológica do núcleo duro no poder. Possivelmente, temos hoje o governo mais ideológico da nossa história – incluídos aí os governos das ditaduras. O que tem feito bater na trave todas as tentativas de moderação vindas do centro. O resultado não poderia ser outro: instabilidade crônica.

Os episódios das demissões do general Santos Cruz da Secretaria de Governo e de Joaquim Levy da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) são fortes exemplos disso. Na campanha, Bolsonaro elegeu-se com o discurso da necessidade de retirar da vida das pessoas a influência ideológica. Afirma que isso acontece nas escolas, que é assim nas universidades, etc. Mas, na melhor das hipóteses, o presidente apenas trocou uma ideologia por outra. Na pior, e que está se mostrando mais provável, introduziu na nossa rotina uma ideologia forte como nunca antes se viu.

O fato de Joaquim Levy ter sido ministro da Fazenda de Dilma Rousseff é um exemplo claro de que ideias mais conservadoras podiam habitar no universo anterior. Essa, aliás, foi a grande crítica que então se fez a Levy e a Dilma: ela passou a campanha dizendo que não havia crise, e botou um cara para fazer o choque fiscal da maneira mais conservadora possível na economia. Levy não foi parar como um clandestino na equipe de Paulo Guedes. Levy sempre foi muito mais próximo ao pensamento de economistas como Guedes do que da turma da esquerda.

Mas Levy cai somente por causa dessa sua vinculação passada. Porque Bolsonaro sonhou com uma devassa nas contas do BNDES, que mostraria monstruosas irregularidades cometidas com o nosso dinheiro. Levy não entregou a tal devassa. Agora, veremos se não fez isso por alguma lealdade aos antigos patrões ou porque não encontrou mesmo nada de tão grave assim. Levy sai do governo elogiado por Rodrigo Maia e outras figuras do centro.

Já Santos Cruz era, junto com Hamilton Mourão, o retrato de uma moderação militar que ninguém esperava muito antes da eleição. Era ele quem evitava na Secretaria de Governo que imperasse uma relação radical, que elegesse a imprensa como inimiga, só falasse com blogs amigos e jogasse o equilíbrio às favas. Ou seja: uma radicalização a um grau extremo de algo que os governos petistas ensaiaram, principalmente nos seus últimos momentos: imprensa como inimiga e ajuda aos blogs amigos.

Assim como aconteceu com o imprevisível e bagunçado Jânio, o centro faz agora ensaios de afastamento. Ou de ser afastado, o que neste momento parece ser a leitura mais correta. Na manhã desta terça-feira, faziam na Câmara do Rio uma homenagem a Mourão, e Carlos Bolsonaro deixou a sessão em protesto.

Na época de Jânio, o afastamento do centro representado pelo PSD desequilibrou a fórmula e permitiu a ascensão dos radicais, de um lado e de outro. O que levou ao golpe militar e a ausência de democracia por vinte anos nas nossas vidas.

Deus queira que nada de parecido aconteça agora. Mas o Brasil certamente não são os 15% mais radicais que aplaudem os posts incompreensíveis de Carlos Bolsonaro ou que riem das piadas escatológicas de Olavo de Carvalho. Se é verdade que o país precisa das reformas estruturantes, como a da Previdência, a aprovação delas passa pelo centro. Pelo PSD diluído hoje no Congresso e comandado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. A fórmula que nos mantém estáveis permanece a mesma.

Política

Falta gasolina no Posto Ipiranga


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Com a enquadrada que levou a respeito do imposto previdenciário, é a segunda vez que o secretário de Receita, Marcos Cintra, é desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro. A primeira vez foi em novembro, Bolsonaro ainda nem tinha tomado posse, quando Cintra era assessor de Paulo Guedes na transição e propôs a criação de um imposto sobre movimentação financeira. Na ocasião, diante da reação do então presidente eleito, chegou-se a dizer que Cintra talvez nem virasse secretário. Agora, não será surpresa se ele acabar demitido.

Quatro meses depois da posse, vão caindo alguns mitos construídos na campanha em torno do “Mito”. Um deles é quanto à autonomia que seria dada a determinados ministros, especialmente Paulo Guedes, o “Posto Ipiranga” da economia. Quem esperava um Bolsonaro tutelado por certos setores de seu governo, rápido vai percebendo que estava equivocado. Bolsonaro exerce a sua Presidência. O que não quer dizer exatamente que isso seja de todo bom.

No caso da economia, o apelo a Paulo Guedes como o Posto Ipiranga era uma forma de se esquivar das questões mais técnicas. Bolsonaro admitia não entender de economia. E dizia que, nesse quesito, quem quisesses as respostas devia procurá-las diretamente no Ministério da Economia. No seu Posto Ipiranga.

A Guedes o recado parecer ter sido entendido da seguinte forma. Economia é um tema complexo. O país vive uma crise grave, que precisa de remédios amargos para ser contornada. Guedes imagina ter o caminho para tirar a carroça do atoleiro. Mas é um caminho que exige sacrifícios. Imaginava construir uma pasta forte, com técnicos decididos como ele, para desatolar a carroça. Se achava que conseguiria fazer isso sem intervenções, vai se frustrando um bocado. Falta gasolina no Posto Ipiranga.

Como qualquer outro político que se elege, por menos que admita, Bolsonaro tem seus compromissos. E é por conta desses compromissos que ele intervém. E é por conta desses compromissos que alas que imaginavam poder tutelá-lo não conseguem.

Em entrevista recente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), fez uma acertada avaliação dos dilemas que cercam Jair Bolsonaro. Ao listar defeitos e qualidades do presidente, Maia enxergou uma forte fidelidade dele ao núcleo central do seu eleitorado. Uma parcela mais radical e sólida que lhe garantiu os 15% iniciais na campanha e que lhe deram a musculatura necessária para ser um candidato competitivo. Ao se apresentar como o grande antípoda do PT, Bolsonaro ampliou-se para além desses 15%, angariando outros segmentos que também não desejavam os petistas de volta. Empresários, gente do sistema financeiro, enfim, os liberais. Os militares. Políticos de partidos de centro-direita, como o DEM. Esses segmentos esperavam ter capacidade maior de influência no governo. Para Maia, batem-se contra o núcleo central do bolsonarismo. E Bolsonaro, por muitas vezes, tem se mantido fiel a esse núcleo. Ainda que ao final ele tenha se tornado minoria no seu eleitorado. E na sociedade.

Nas duas vezes, Cintra sugeriu impostos não discricionários. Pagos por todo mundo. E, nas duas vezes, Bolsonaro reagiu pela pressão da sua base mais sólida. No caso agora, por pressão das igrejas evangélicas. Cintra não pretendia criar um imposto só para elas. Citou-as para dizer que o tributo que pretendia seria pago por todos. Mas mexeu em um vespeiro. Para além dos evangélicos, também é tema tabu entre o eleitorado de classe média – igualmente forte na base bolsonarista – falar em novos impostos. Já basta o sacrifício que haverá na Previdência. E assim o próprio Maia acabou saindo também contra Marcos Cintra.

Fica, porém, demarcado que nenhum dos setores que julgavam ter poder e autonomia dentro do governo na verdade os têm. Quem manda no Posto Ipiranga é Bolsonaro. Como se viu no episódio da destituição de Ilona Szabó do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, quem manda no Ministério da Justiça é também Bolsonaro, e não Sério Moro. Como se viu no episódio do aumento do óleo diesel e da propaganda do Banco do Brasil, é Bolsonaro também quem manda nas estatais. E como se vê nas constantes pendengas com o vice-presidente Hamilton Mourão ou com o secretário de governo, general Santos Cruz, os militares também não tutelam o presidente.

No fundo, não pode ser uma surpresa perceber que um presidente com o perfil de Bolsonaro queira exercer autoridade. O risco ocorrerá se ele não perceber que o Brasil é bem maior e mais complexo que sua base sólida de 15%.