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Política

O mundo Bolsonaro no Aranhaverso


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No fim de semana, uma deputada da base do governo Jair Bolsonaro manifestou-se nas redes sociais contra uma reportagem publicada na revista IstoÉ que criticava a falta de critérios técnicos para a ascensão de apadrinhados no novo governo, a começar por Antônio Hamilton Rossell Mourão, filho do vice-presidente Hamilton Mourão, que conseguiu triplicar seu salário no Banco do Brasil em pouco mais de uma semana de governo. “Está muito fofo ver a extrema imprensa chamar de moralmente questionável o que não pode chamar de ilegal, quando nunca questionou as ilegalidades escancaradas dos governos petistas”, escreveu ela. Fica omitido o nome da deputada porque a intenção aqui não é iniciar uma polêmica diretamente com ela. Mas não era preciso recorrer sequer ao histórico de reportagens publicadas pela revista para verificar a falta de sentido do comentário.

A capa da mesma edição estampa uma foto de Rosemary Noronha, que foi assessora do ex-presidente Lula. A reportagem fala das investigações de falcatruas em que Rosemary teria se metido, apuradas na Operação Porto Seguro. Fala que ela tem fugido da Justiça para não ser notificada e intimada. E ainda traz uma entrevista na qual sua irmã diz com todas as letras que ela foi amante de Lula. Independentemente do que se pense sobre o conteúdo específico das reportagens, se são boas ou ruins, corretas ou incorretas, fica um bocado difícil, diante disso, afirmar que a revista, ou a “extrema imprensa” no caso por ela representada, “nunca questionou as ilegalidades escancaradas dos governos petistas”. Questionou na mesma edição.

É possível encontrar nas redes sociais petistas diversos comentários com o mesmo grau de indignação e ódio contra a reportagem que fala de Rosemary. Que ignoram da mesma forma solene a outra reportagem criticada pela deputada, e outras. São casos opostos de um mesmo fenômeno. As bolhas do mundo virtual simplesmente descartam da realidade que constroem tudo aquilo que não lhes convém. Ali, vive-se num universo paralelo, onde o sentido do mundo real é subvertido para construir um outro sentido, que só ali tem lógica.

É meio como o desenho animado do Homem Aranha, que está em cartaz nos cinemas, “Homem Aranha e o Aranhaverso”. A animação brinca com o conceito de universos paralelos, que faz sucesso no mundo dos quadrinhos mas ainda não tinha dado as caras no cinema. Ali, herois de diversos mundos unem-se para combater juntos uma ameaça. Entre as diversas formas de super-heroi aparece até um certo Porco Aranha, um porquinho com cara de desenho do Looney Tunes. Em um mundo em que o heroi é um porco de desenho animado fantasiado de aranha pode fazer sentido uma revista que traz a suposta ex-amante de Lula ser a mesma que “nunca questionou as ilegalidades escancaradas dos governos petistas”. Onde um porco de colant fantasiado de aranha distribui sopapos nos bandidos, tudo é possível.

Com todo o respeito à deputada, o problema do seu comentário é o grau de relevância que vai ganhando no mundo real as conclusões e decisões que são tomadas a partir de convicções formadas nesse mundo paralelo. A partir de convicções formadas sob o ponto de vista distorcido das bolhas virtuais – que não enxergam contrapontos, que não admitem visões diferentes -, vai-se consolidando uma radicalização que, se agrada às bolhas, pode ter efeitos muito perversos no mundo real.

Que vantagem prática, por exemplo, vislumbra-se com a decisão de o Brasil ser um dos primeiros países do mundo a seguir os Estados Unidos na troca da embaixada de Israel de Telaviv para Jerusalém? Se tal decisão viesse após o incremento de fato de uma parceria com Israel, da qual o Brasil estivesse desfrutando, tal movimento poderia ser considerado mais natural. Mas feito de forma gratuita, sem nenhuma negociação de contrapartida, torna-se incerto nos seus benefícios bem mais que a possibilidade de seus prejuízos, como a ameaça de o país acabar virando cenário do terrorismo islâmico.

Na outra linha, que vantagem o PT pode a essa altura auferir ao prestigiar a posse de Nicolás Maduro na Venezuela ou ao defender Cesare Battisti no episódio da sua extradição para a Itália? O partido não percebe que tais atos só reforçam os argumentos contrários que levaram à vitória de Jair Bolsonaro? Não percebe que isso o leva a uma imagem de extremismo que ao longo da sua história nunca desejou de fato?

Ainda vamos ter que avaliar muito sobre o novo mundo que se constroi a partir da vida paralela virtual que se amplia sobre a vida real. Nesse sentido, vale a leitura de um estudo coordenado por Christopher Paul para a Rand Corporation, intitulado “Firehose or Falsehood” sobre o modelo de enxurrada de fake news desenvolvido na Rússia e que migrou para os Estados Unidos na eleição de Donald Trump e pode ter desembarcado por aqui na eleição de Bolsonaro. O texto pode ser facilmente encontrado na internet. De acordo com o artigo, as estratégias que se valem dessa “enxurrada de fake news” estabelecem um clima de “campanha eleitoral permanente”, em que a racionalidade e o equilíbrio são substituídos por um ambiente crônico de ataque aos fantasmas de sempre.

Cria-se, assim, um ambiente de disputa, no qual se aponta para inimigos à espreita prontos todo o tempo para sabotar projetos. Uma das características dessa situação é a quantidade. Diversas, inúmeras postagens martelando as ideias em caráter repetitivo. Múltiplas fontes. Se uma história não cola, cria-se outra imediatamente. Ou se refaz a primeira. O trabalho da Rand Corporation chega a aferir que determinada quantidade de influenciadores digitais consegue anular a palavra de um especialista. Por exemplo: a questão das vacinas. Uma quantidade de depoimentos de pessoas comuns dizendo que as vacinas fazem mal anula o depoimento de um Prêmio Nobel que afirme que elas fazem bem. Até porque se embala tudo numa argumentação de que há uma conspiração planetária em torno do tema. Assim, o especialista que defende as vacinas foi credenciado por instituições que fazem parte da mesma conspiração. Tal argumentação relativiza as suas credenciais.

Muito do que se vê hoje nas redes sociais é deliberado. Há empresas operando essa rede de informações falsas ou distorcidas. Que é retroalimentada pela convicção e fé dos grupos nas suas bolhas. Estimulada por uns, cresce pela crença dos outros. E vice-versa. No caso brasileiro, é necessária mais investigação para saber o que prevaleceu ou aconteceu. Se a deliberação intencional ou a distorção a partir de grupos que deixaram de enxergar o todo isolados que estavam – e estão – nas suas bolhas.

Voltando ao desenho animado do “Aranhaverso”, nesse rolo todo a imprensa parece identificar-se com o personagem do Homem Aranha cansado e fora de forma de um dos universos. Espancada pela crise e por um mundo onde a verdade e o bom senso andam fora de moda, a imprensa luta, com seus erros e limitações, para manter as suas convicções, que incluem o combate sempre a governos que desviam dinheiro público e facilitam exceções e privilégios. Seja de que lado estiverem.

Política

Rastros de ódio – algumas lembranças


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O governo de Luiz Inácio Lula da Silva estava em seus primeiros dias. O presidente convoca uma reunião com governadores para discutir reformas que faria, especialmente a reforma da Previdência. Repetia ali algo que acontecera no governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, que realizara reuniões semelhantes com os governadores. Na reunião anterior, com FHC, reservou-se uma parte da Granja dos Torto, onde os jornalistas puderam se acomodar e ter dali inclusive acesso a assessores e secretários que acompanhavam a conversa.

Agora, na mesma Granja do Torto, todos os jornalistas se viram obrigados a ficar do lado de fora da cerca, no sol, longe de fontes que pudessem esclarecer o que se discutia e estava sendo acertado. Colunista na época no Correio Braziliense, anotei no meu espaço que ali começava a se produzir uma relação que tinha tudo para azedar. Nada parecia justificar a mudança de tratamento.

Na época, o então secretário de Comunicação, Ricardo Kotscho, reagiu, dizendo que a imprensa seria tratada com o mesmo respeito. Devo reconhecer que com Kotscho sempre tive de fato uma relação de máximo respeito. No meu caso, de admiração mesmo diante do memorável repórter que ele é. Assim como foram de respeito – e em alguns casos mesmo de grande amizade – as relações com os demais responsáveis pela comunicação dos governos petistas, como Franklin Martins, Helena Chagas e Olímpio Cruz Neto. Mas a verdade é que, muitas vezes à revelia até desses meus amigos, algo de estranho na relação dos governos petistas com a imprensa acontecia. E não seria justo reputar tal estranheza somente ao comportamento da imprensa.

A leitura de qualquer um dos veículos de comunicação brasileiros no início do primeiro governo Lula vai mostrar uma cobertura na ampla maioria das vezes favorável ao governo. A capa da revista IstoÉ, por exemplo, mostra o Rolls Royce presidencial descendo a rampa do Congresso Nacional, em registro belíssimo do fotógrafo Leopoldo Silva. Ladeado por manifestantes, o automóvel de Lula parece abrir as águas do lago do Congresso, antecipando uma imagem messiânica que Lula depois muito exploraria. O título na capa era: “O povo no poder”. A capa da revista Veja mostra uma foto de Lula sorridente, empunhando a bandeira brasileira, sob o título: “Triunfo histórico”. Acima, registrava-se ser “o primeiro presidente de origem popular”.

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Antes da posse, a festa da vitória nas eleições deu-se na avenida Paulista, em São Paulo. Lula reservou uma sala de um hotel nas imediações para sua primeira coletiva após a vitória. Eu estava na coletiva. E ficamos todos esperando por alguns diversos minutos Lula conceder antes uma exclusiva que entrou ao vivo no programa Fantástico, da TV Globo.

Voltando aos primeiros momentos do governo, eu e outros jornalistas conseguimos estabelecer o hábito de almoçar com um dos ministros que despachava no Palácio do Planalto. Eram conversas em off, destinadas a compreender a lógica por trás das decisões que o governo tomava. Resultava na produção de espaços importantes para o governo, ainda que independentes, equidistantes, sem qualquer compromisso de elogio chapa-branca. Em determinado momento, sem qualquer explicação, os almoços findaram. Houve rumores de que fora uma ordem da Casa Civil…

Pouco depois, uma reportagem foi publicada em um veículo dizendo que a Casa Civil desconfiava que dois assessores jornalistas da Presidência seriam “espiões” do candidato tucano derrotado por Lula, José Serra. Em algum momento do passado, esses dois jornalistas, seríssimos, tinham de fato trabalhado com Serra. Hoje, trabalhavam com a mesma competência com Lula. A reportagem atribuía a informação a “fontes do Planalto”. Inaugurava-se com essa reportagem o chamado “fogo amigo”.

A partir daí, fechamentos de espaço para o trabalho jornalístico foram se sentindo. Produziram-se manuais para estabelecer a relação com jornalistas e o cuidado que se deveria ter no repasse de “informações estratégicas”. Mesmo assim, qualquer leitura honesta dos jornais demonstrará uma imprensa mais favorável que crítica ao governo até estourar o episódio do mensalão.

Sobre o mensalão, é bom adicionar nova lembrança. Roberto Jefferson sempre teve certeza que a fonte da matéria de capa da Veja que denunciava o recebimento de propina pelo ex-diretor dos Correios Maurício Marinho teve o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, como fonte. Foi por conta dessa matéria – e da certeza que tinha sobre a fonte – que Jefferson resolveu procurar a jornalista Renata Lo Prete, então na Folha de S. Paulo, e denunciar a existência do mensalão.

A cobertura do mensalão foi a última a ter como fonte principal o Congresso Nacional e uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI dos Correios. CPI presidida pelo então senador Delcídio Amaral, que pertencia ao PT do Mato Grosso do Sul. Hoje, Delcídio está preso e denuncia o PT, que trata de lembrar de sua origem política ao lado de Jader Barbalho, do MDB, e depois no PSDB. Mas na época Delcídio era respeitada liderança petista. Que ajudava a imprensa a se alimentar das apurações da CPI que na maioria dos seus momentos fustigavam o PT.

O julgamento do mensalão, mais adiante, já trazia a história de “Partido da Imprensa Golpista” e a narrativa petista de que tudo não passava de uma invenção da imprensa.

Invenção nunca houve. Ou não teria havido CPI dos Correios e um julgamento no qual todos os ministros do Supremo Tribunal Federal consideraram a existência de crimes. A discussão ali se deu em torno de que crimes e quais penas. Nunca, por parte de nenhum dos ministros do STF, da inexistência de qualquer delito.

Houve, sim, exageros em alguns momentos por parte de determinados veículos de imprensa. Vieses se acentuaram. O equilíbrio foi perdido por muitos em muitos momentos.

Agora, ignorar as lembranças acima na construção desses “rastros de ódio” é agressão à inteligência e à memória. O país não rachou pela vontade de apenas um dos lados. E só seguirá rachado se assim os dois lados continuarem querendo. Azar de quem – e essa é a imensa maioria do país – prefere não ficar de lado nenhum…

Em tempo: “Rastros de ódio”, o maravilhoso western de John Ford, por muitos considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, é ótima pedida para se entender como ódios se constroem e como suas motivações são tolas e sem sentido no final…

Política

The Post, o filme, e o anseio por informação de qualidade


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Foto: Divulgação/20th Century Fox

Termina a sessão de The Post, o filme de Steven Spielberg em cartaz, e a plateia do cinema começa a aplaudir entusiasticamente tão logo aparecem os créditos finais. Por melhores que sejam, não costuma ser uma reação comum das plateias aplaudir filmes. Afinal, seus realizadores não estão ali fisicamente para receber os cumprimentos. Somente filmes que mexem muito com a emoção dos espectadores costumam receber essa reação. Pelo que me contam, a reação nesta seção de cinema não foi algo isolado. As pessoas estão aplaudindo The Post.

É algo curioso que o relato de uma situação vivida na redação de um jornal impresso na década de 1970, nos Estados Unidos, diante da tensa relação política do governo Richard Nixon naquela época, com a contestação que havia contra a Guerra do Vietnã, gere tal emoção nos dias de hoje. Para as novas gerações, talvez seja até difícil compreender os detalhes da rotina que o filme mostra nas redações dos jornais. Quantas pessoas conseguem reconhecer aquelas máquinas de linotipo ou os riscos dos desenhos de página feitos pelos diagramadores? Toda essa realidade quase extraterrena para qualquer um com menos de 40 anos aparece no filme sem qualquer preocupação didática maior de explicá-la. E mesmo assim o filme emociona. E é aplaudido no final.

Nas entrevistas sobre seu filme, Spielberg vem matando um pouco dessa charada. O que o motivou a desenvolver a história e transformá-la em filme foi o que ele chama de “tempo das fake news”. O atual ambiente, onde as pessoas informam-se pelas redes sociais, de forma rasa e descontextualizada. Não conseguem distinguir o que é falso ou verdadeiro. Nem conseguem informações mais detalhadas e aprofundadas sobre as questões que as afligem.

Em muitos momentos, a disseminação das informações é meramente militante. Os diversos grupos de interesse tratam de difundir o que lhes interessa, de forma distorcida e rasa, o mais próxima possível de mera palavra de ordem, de slogan de propaganda. A lógica das redes sociais trata de distorcer ainda mais a coisa, porque aproxima as informações ao que cada pessoa já pensa e aos seus interesses. No caso dos Estados Unidos, tendo agora um presidente com alta participação nesse jogo. Quando não está cuidando da tintura do cabelo, Donald Trump está nas redes sociais, desqualificando seus adversários e tendo como um de seus alvos preferenciais, a imprensa, que ele trata como sua adversária.

Por outro lado, a imprensa vive a maior crise da sua história. Viu esfarelar-se seu modelo anterior de negócios sem que esteja ainda construído um modelo novo. Nenhum veículo de comunicação de hoje poderia, como fez o Washington Post, como se mostra no filme, estabelecer como um de seus ativos numa reunião de negócios a atenção que dá para a manutenção de uma equipe de jornalistas de qualidade. Todos os atuais veículos de comunicação, por conta da crise, andam rifando seus jornalistas de qualidade, substituindo-os por outros mais jovens, menos experientes e mais baratos. Entregando cada vez mais reportagens aos cuidados de estagiários. Equipes menores e com menos tempo para apurar as informações que publica. No mundo do jornalismo on-line, não raro o tempo entre apuração e publicação não passa de alguns minutos. E não raro o veículo vê-se obrigado a corrigir logo depois, pela pressa, o que tinha acabado de informar.

E é preciso se reconhecer que não foram poucos os veículos que caíram na armadilha criada por eles mesmos de abandonar o antigo conceito de objetividade – esse dos tempos do filme – para declaradamente assumir posicionamentos que os fizeram pender claramente para um dos lados da disputa política. Claramente governistas ou oposicionistas, que credibilidade podem esperar ter diante do público que não professa das mesmas ideologias?

Contrapondo o jornalismo tradicional em crise, apresentam-se grupos de blogueiros voluntaristas, tentando fazer valer a ideia de que podem suprir, lobos solitários que são, as carências das cada vez menores equipes dos jornais, das revistas e emissoras de TV. Alguns falam somente para seus grupos. Outros, mal intencionados, achacam para fazer negócios. Muitos unem a isso o problema mencionado no parágrafo anterior: assumem declaradamente um lado do jogo político e não podem, assim, esperar receber, da mesma forma, credibilidade de qualquer um que não professe as mesmas ideologias. Alguns conseguem, pela experiência ou credibilidade de seus titulares, acrescentar algo. Todos, porém, carecem da estrutura mínima necessária para alimentar de forma plena seus leitores com notícias.

As reações a The Post parecem determinar um certo anseio das pessoas por informação de qualidade. Por algum tipo de contrato que lhes garanta obter um relato de confiança sobre o que lhes interessa, num quadro em que não parecem enxergar essa possibilidade vinda de lugar nenhum da imensa profusão de notícias que aparece hoje nos seus computadores, tablets e celulares.

The Post  demonstra que está longe de ser trivial, banal, o trabalho jornalístico. E que ele está longe também de ser dispensável numa sociedade moderna. Segue na mesma linha de mensagem assinalada há alguns anos por Spotlight. Primeiro, mostra como não é na verdade nada solitário o trabalho jornalístico que realmente faz diferença. Tanto em The Post como em Spotlight, fica claro como jornalismo é trabalho de equipe. Como tem resultado efetivo quanto mais toda a estrutura do jornal está envolvida. Desde o proprietário, ao dar a autorização para que a história seja investigada e publicada, até o foca mais novato. Quando envolve não apenas aqueles diretamente relacionados com a apuração, mas todo o corpo da empresa.

É um trabalho que exige dedicação, mas sobretudo estrutura. Não tem como ser bem feito nem por equipes enxutas e inexperientes nem pela ação voluntarista e individual de alguns. Ou seja: a maior parte de quem está hoje no jogo do jornalismo está a quilômetros de ser capaz de produzir informação de qualidade. E a profusão cada vez maior de informação rasa, distorcida, quando não falsa, que chega nas telas de cada um só faz provocar mais confusão e insegurança.

Por menos que compreenda as imagens dos linotipos, dos riscos dos diagramadores e das laudas das máquinas de escrever, o espectador compreende que o recebimento de informações de qualidade é algo que trabalha a seu favor. Que governante algum, seja de que partido for, jamais vai se agradar com o trabalho de uma imprensa livre, cumprindo o seu papel.  Que sempre tentará atacar ou relativizar o trabalho da imprensa.

Menos Google. Mais sola de sapato. Mais saliva gasta. Mais papel de bloquinho. Mais tinta de caneta. Não sou eu quem está pedindo. O pessoal é que está querendo…