Fernando Henrique Cardoso

Política

Nós jornalistas somos “os suspeitos de sempre”


Nenhum Comentário

O filme “Casablanca” certamente reúne o maior conjunto de frases antológicas da história do cinema. Aquelas que vivemos repetindo, acrescentadas que ficam às nossas vidas e experiências. “Toque outra vez, Sam” (ainda que no filme Bogart diga apenas “Play it, Sam” e não “Play it again” como a gente vive repetindo…), “Sempre teremos Paris”… e por aí vai.

Mas de todas as frases antológicas de “Casablanca”, a melhor é a dita pelo Capitão Renault, o francês colaboracionista cínico e de caráter ambíguo, quando tem que reprimir uma confusão no Rick’s Café, onde se passa o filme. “Prendam os suspeitos de sempre”, diz ele.

Ou seja, em tempos de ditadura, de liberdade reprimida, as arbitrariedades vicejam. As autoridades amplificadas, multiplicadas nos seus egos, sem necessidade de prestar contas a ninguém, relaxam no rigor das suas apurações. Num mundo que enxerga inimigos de todos os lados, prende a torto e a direito os que incomodam. Pouco importa se efetivamente cometeram o crime. Suas prisões servem tão somente para manter aceso o medo. Para renovar o gosto de sangue que rapidamente se torna um vício. Os “suspeitos de sempre” não são aqueles que, nas sombras, cometem crimes. São aqueles que, às claras, alertam para a sua existência.

Na Alemanha nazistas e nos territórios que ocupava, como Casablanca, os “suspeitos de sempre” eram os judeus, as minorias, os comunistas, os amantes da liberdade que não se curvavam àqueles tempos sombrios. Na Alemanha nazista e em qualquer momento em que a liberdade de expressão começa a correr risco, os jornalistas sempre se juntam aos “suspeitos de sempre”.

A verdade é que, para qualquer governo em algum momento, jornalistas viram os “suspeitos de sempre”. O grande escritor George Orwell, autor de “Revolução dos Bichos” e “1984” dizia: “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. O resto é publicidade”.

Nas suas obras, George Orwell tratou de dissecar e alertar para o perigo dos regimes que se constroem a partir de verdades absolutas. Vivemos hoje um momento em que muitos pregam a necessidade de “radicalizar” como solução para vencer o inimigo que enxergam do outro lado. “Radicalizar” significa “tornar absoluto”. É considerar que a verdade se encontra somente consigo. E que tudo que não vai ao encontro do que você considera verdade se torna uma mentira perigosa, que precisa ser destruída. Em “1984”, o Ministério da Verdade refazia as manchetes dos jornais e retocava fotos refazendo a “verdade” de acordo com as conveniências políticas que mudavam. Ou seja: o Ministério da Verdade era, de fato, um “Ministério da Mentira”. Mas aquilo não era exatamente um produto da imaginação de Orwell: Stálin tinha feito exatamente assim na União Soviética, eliminando dos arquivos fotos em que León Trotski aparecia, por exemplo. Na “Revolução dos Bichos”, Orwell mostra como o porco, o líder revolucionário daquele movimento de animais, aos poucos vai ficando igual ao homem que ele derrubou.

O livro de memórias do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é cheio de críticas a jornais e jornalistas quanto à passagem de seu governo. Menospreza alguns jornalistas dizendo que não os lê. Critica jornais que o criticavam. Os acusa de “sensacionalismo”. Nos tempos do PT no poder, criou-se a expressão “Partido da Imprensa Golpista”, e muitos militantes seguem na balada de considerar que jornais e jornalistas se associaram para reduzir pelo golpe do impeachment a era petista.

Em se julgando verdade, se houve alguém que tenha se beneficiado da criação artificial de um ambiente que vinculava a era petista à corrupção, esse alguém foi o atual presidente Jair Bolsonaro. Foi Bolsonaro quem, nas eleições, conseguiu colar à percepção da sociedade a ideia de que ele era o oposto daquilo que a sociedade não mais queria.

Mas, nove meses depois de tomar posse, é Bolsonaro quem vocifera pesado contra os jornais e os jornalistas. Com seu estilo que passa longe da sutileza, diz que os jornais “mentem”, “distorcem”, “difamam”. Com o propósito de derrubá-lo. Ou seja, com velocidade impressionante Bolsonaro incorpora ao seu discurso a tese de que a imprensa é “golpista”.

Assim, diante da tarefa que temos de expor problemas e mazelas, seguimos, nós jornalistas, sendo “os suspeitos de sempre”. Em tempos de ditadura, o preço pago é bem alto. “Suspeitos de sempre” são presos, muitas vezes torturados e até mortos. Jornais são sufocados, trabalha-se para desoxigenar suas fontes de financiamento. Felizmente, em tempos de democracia, o que ficam são somente as reclamações dos poderosos…

Política

A politização da Justiça


Nenhum Comentário

Foi o saudoso jornalista e cientista político Ariosto Teixeira um dos primeiros a apontar para o fenômeno que ficou conhecido como judicialização da política. Um Legislativo fraco e um Executivo em crise permanente deram espaço para que o Judiciário, pela anomia e fraqueza dos dois outros poderes, começasse a legislar e a resolver diversas das questões políticas.

Foi assim que o Supremo Tribunal Federal permitiu, entre outras questões, o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou o aborto de bebês anencéfalos. O Congresso não tinha condições ou força para se organizar, a Justiça resolvia em seu lugar.

O fenômeno produziu um imenso protagonismo do Judiciário nos últimos anos. Virou coisa comum se recorrer ao Supremo para resolver as querelas que muitas vezes não eram jurídicas. De Corte discreta e sóbria, o STF foi ganhando destaque, seus ministros foram se tornando figuras conhecidas. Alguns ganharam aos olhos da sociedade aspecto de heróis. A toga virou a capa preta de um Batman justiceiro.

Neste momento em que a crise agora atinge o próprio Judiciário como um todo e o STF em particular, parece ter havido uma evolução daquele fenômeno que Ariosto enxergou lá atrás, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso. A musculatura que superfortaleceu o Judiciário nos últimos anos parece ter evoluído da judicialização da política para a politização da Justiça. E aí está uma das raízes da crise que agora seriamente abala a reputação da Suprema Corte.

É claro que a Justiça e o Supremo sempre foram políticos. O próprio modelo de escolha dos ministros do STF por nós escolhido reforça esse aspecto. Os ministros são nomeados pelo presidente da República e sabatinados e aprovados pelo Senado Federal. Em tese, parece ser uma boa trama de diálogo entre os Poderes, envolver Executivo e Legislativo no processo de escolha dos juízes da Suprema Corte. Ocorre, porém que, nesse processo, os ministros entram devedores da escolha primeiro do presidente e da aprovação depois do Senado. Quando estão sendo escolhidos, fazem uma peregrinação pelos gabinetes dos senadores. O que acertam, o que prometem, fica eternamente entre eles.

Enquanto tais acordos e acertos continuavam formando o processo de escolha da Suprema Corte, ganhavam independência e força o Ministério Público e a Polícia Federal. Que se associaram numa jornada de saneamento da corrupção política. Uma jornada que só teria sentido se, evidentemente, culminasse com a condenação dos culpados. Na associação iniciada entre MP e PF, entrou também o Judiciário. Da primeira instância de Curitiba com Sérgio Moro ao STF.

O problema é que os tais acordos e compromissos para as escolhas parecem emergir dos subterrâneos à medida em que tal processo avança e esbarra nas suas idiossincrasias. Claramente, a divisão do Supremo – que muitas vezes vai às vias de fato – está na forma como os ministros compreendem o papel que devem ter nesse processo de saneamento da política. O que várias vezes também deixa transparecer as amizades e compromissos pregressos. Um processo que dividiu o Supremo.

Parte do STF discursa que MP e PF extrapolam das suas atribuições na escalada a que se impuseram. Que politizam as investigações. Que passam por cima das leis e das regras. Outra parte associa-se aos esforços saneadores. Seria risível se não fosse trágico na insegurança jurídica que provoca a história da Turma que prende contra a Turma que solta. As decisões de um ministro que são reformadas pela decisão de outro.

O último passo desse processo é o que estampa os nomes dos próprios ministros do Supremo no rol de denunciados no tal processo de saneamento. Assim como já vinha acontecendo com altos figurões dos outros dois poderes, os figurões do Judiciário passam também a ser os personagens dos vazamentos de processos para a imprensa, das investigações veladas, ganham as manchetes dos jornais e as capas de revista. De condenadores, caíram na vala comum dos condenados – pelo menos, dos condenados pela opinião pública. E apelam às vezes violentamente invocando os superpoderes que ou ganharam ou acharam ter ganho nos últimos anos.

Talvez devesse ser o ponto de inflexão a fazer com que nós, ingênuos brasileiros, parássemos de acreditar em mocinhos e bandidos. Deixássemos de delegar a santos milagreiros, mitos incontestes e combatentes de capa as nossas mazelas. O Brasil pode sair desse processo mais maduro. Ou continuar acreditando em contos da Carochinha. A escolha é nossa.

Política

Rastros de ódio – algumas lembranças


Nenhum Comentário

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva estava em seus primeiros dias. O presidente convoca uma reunião com governadores para discutir reformas que faria, especialmente a reforma da Previdência. Repetia ali algo que acontecera no governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, que realizara reuniões semelhantes com os governadores. Na reunião anterior, com FHC, reservou-se uma parte da Granja dos Torto, onde os jornalistas puderam se acomodar e ter dali inclusive acesso a assessores e secretários que acompanhavam a conversa.

Agora, na mesma Granja do Torto, todos os jornalistas se viram obrigados a ficar do lado de fora da cerca, no sol, longe de fontes que pudessem esclarecer o que se discutia e estava sendo acertado. Colunista na época no Correio Braziliense, anotei no meu espaço que ali começava a se produzir uma relação que tinha tudo para azedar. Nada parecia justificar a mudança de tratamento.

Na época, o então secretário de Comunicação, Ricardo Kotscho, reagiu, dizendo que a imprensa seria tratada com o mesmo respeito. Devo reconhecer que com Kotscho sempre tive de fato uma relação de máximo respeito. No meu caso, de admiração mesmo diante do memorável repórter que ele é. Assim como foram de respeito – e em alguns casos mesmo de grande amizade – as relações com os demais responsáveis pela comunicação dos governos petistas, como Franklin Martins, Helena Chagas e Olímpio Cruz Neto. Mas a verdade é que, muitas vezes à revelia até desses meus amigos, algo de estranho na relação dos governos petistas com a imprensa acontecia. E não seria justo reputar tal estranheza somente ao comportamento da imprensa.

A leitura de qualquer um dos veículos de comunicação brasileiros no início do primeiro governo Lula vai mostrar uma cobertura na ampla maioria das vezes favorável ao governo. A capa da revista IstoÉ, por exemplo, mostra o Rolls Royce presidencial descendo a rampa do Congresso Nacional, em registro belíssimo do fotógrafo Leopoldo Silva. Ladeado por manifestantes, o automóvel de Lula parece abrir as águas do lago do Congresso, antecipando uma imagem messiânica que Lula depois muito exploraria. O título na capa era: “O povo no poder”. A capa da revista Veja mostra uma foto de Lula sorridente, empunhando a bandeira brasileira, sob o título: “Triunfo histórico”. Acima, registrava-se ser “o primeiro presidente de origem popular”.

istoe

veja

Antes da posse, a festa da vitória nas eleições deu-se na avenida Paulista, em São Paulo. Lula reservou uma sala de um hotel nas imediações para sua primeira coletiva após a vitória. Eu estava na coletiva. E ficamos todos esperando por alguns diversos minutos Lula conceder antes uma exclusiva que entrou ao vivo no programa Fantástico, da TV Globo.

Voltando aos primeiros momentos do governo, eu e outros jornalistas conseguimos estabelecer o hábito de almoçar com um dos ministros que despachava no Palácio do Planalto. Eram conversas em off, destinadas a compreender a lógica por trás das decisões que o governo tomava. Resultava na produção de espaços importantes para o governo, ainda que independentes, equidistantes, sem qualquer compromisso de elogio chapa-branca. Em determinado momento, sem qualquer explicação, os almoços findaram. Houve rumores de que fora uma ordem da Casa Civil…

Pouco depois, uma reportagem foi publicada em um veículo dizendo que a Casa Civil desconfiava que dois assessores jornalistas da Presidência seriam “espiões” do candidato tucano derrotado por Lula, José Serra. Em algum momento do passado, esses dois jornalistas, seríssimos, tinham de fato trabalhado com Serra. Hoje, trabalhavam com a mesma competência com Lula. A reportagem atribuía a informação a “fontes do Planalto”. Inaugurava-se com essa reportagem o chamado “fogo amigo”.

A partir daí, fechamentos de espaço para o trabalho jornalístico foram se sentindo. Produziram-se manuais para estabelecer a relação com jornalistas e o cuidado que se deveria ter no repasse de “informações estratégicas”. Mesmo assim, qualquer leitura honesta dos jornais demonstrará uma imprensa mais favorável que crítica ao governo até estourar o episódio do mensalão.

Sobre o mensalão, é bom adicionar nova lembrança. Roberto Jefferson sempre teve certeza que a fonte da matéria de capa da Veja que denunciava o recebimento de propina pelo ex-diretor dos Correios Maurício Marinho teve o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, como fonte. Foi por conta dessa matéria – e da certeza que tinha sobre a fonte – que Jefferson resolveu procurar a jornalista Renata Lo Prete, então na Folha de S. Paulo, e denunciar a existência do mensalão.

A cobertura do mensalão foi a última a ter como fonte principal o Congresso Nacional e uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI dos Correios. CPI presidida pelo então senador Delcídio Amaral, que pertencia ao PT do Mato Grosso do Sul. Hoje, Delcídio está preso e denuncia o PT, que trata de lembrar de sua origem política ao lado de Jader Barbalho, do MDB, e depois no PSDB. Mas na época Delcídio era respeitada liderança petista. Que ajudava a imprensa a se alimentar das apurações da CPI que na maioria dos seus momentos fustigavam o PT.

O julgamento do mensalão, mais adiante, já trazia a história de “Partido da Imprensa Golpista” e a narrativa petista de que tudo não passava de uma invenção da imprensa.

Invenção nunca houve. Ou não teria havido CPI dos Correios e um julgamento no qual todos os ministros do Supremo Tribunal Federal consideraram a existência de crimes. A discussão ali se deu em torno de que crimes e quais penas. Nunca, por parte de nenhum dos ministros do STF, da inexistência de qualquer delito.

Houve, sim, exageros em alguns momentos por parte de determinados veículos de imprensa. Vieses se acentuaram. O equilíbrio foi perdido por muitos em muitos momentos.

Agora, ignorar as lembranças acima na construção desses “rastros de ódio” é agressão à inteligência e à memória. O país não rachou pela vontade de apenas um dos lados. E só seguirá rachado se assim os dois lados continuarem querendo. Azar de quem – e essa é a imensa maioria do país – prefere não ficar de lado nenhum…

Em tempo: “Rastros de ódio”, o maravilhoso western de John Ford, por muitos considerado um dos melhores filmes de todos os tempos, é ótima pedida para se entender como ódios se constroem e como suas motivações são tolas e sem sentido no final…

Política

José Sarney, agora e sempre


Nenhum Comentário

Foto: Antonio Cruz – Agência Brasil/EBC

Não há na política brasileira personagem que melhor personifique a máxima do célebre romance político “O Leopardo”, de Lampedusa, que o ex-presidente José Sarney. “Se queremos que tudo permaneça como está, é preciso que tudo mude” (“Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi”). Sarney é certamente a melhor representação do político que sempre acha um jeito de se aliar às mudanças, garantindo assim que, para ele, tudo continue sendo do mesmo jeito. Exatamente como o Príncipe de Salina, “O Leopardo”, ensina a seu sobrinho, Tancredi, no célebre romance de Lampedusa. Onde habitam políticos como Renan Calheiros e Romero Jucá, Sarney é o grande príncipe.

É impressionante que aos 87 anos, atualmente afastado de qualquer mandato político, Sarney ainda apareça no centro da discussão de poder, apontado por supostamente ter vetado a indicação do deputado Pedro Fernandes (PTB-MA) para o Ministério do Trabalho. Quem declara ter sido vetado por Sarney é o próprio Pedro Fernandes. E Sarney nega qualquer veto ou consulta. Pode ser verdade. Mas, ao longo da vida, Sarney sempre declarou muito menos poder do que realmente exerceu. A discrição tem sido uma de suas características. Sua influência geralmente é bem maior do que o que ele admite ou declara. Faz parte do mito que criou.

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa, que incorporou o Sarney ao seu nome graças a um certo senhor inglês, Sir Ney, a quem seu pai era muito ligado, tem a capacidade de adaptação às mudanças diretamente relacionada à sua biografia. O filme que Gláuber Rocha fez, Maranhão 66, por encomenda do próprio Sarney, quando ele se elegeu governador do Maranhão em 1966, já é uma boa mostra disso. Sarney chegava ao governo maranhense para por fim ao coronelismo exercido por Vitorino Freire. O filme de Gláuber mostra Sarney em um comício tradicional, prometendo mudanças, e intercala as imagens desse comício a cenas do pobre povo maranhense e suas carências.

Na ditadura militar, Sarney incorporou-se à Arena, o partido que apoiava o regime. Foi o presidente do PDS, o partido que substituiu a Arena na volta do pluripartidarismo. Presidiu a convenção na qual o PDS escolheu Paulo Maluf como candidato à Presidência da República para suceder o general João Figueiredo. Uma reunião tão tensa que Sarney foi para ela armado. Alguns meses depois, porém, o presidente do PDS estava ao lado da dissidência, batizada de Frente Liberal, que se uniu ao PMDB na Aliança Democrática para eleger Tancredo Neves presidente, na eleição indireta, pelo Colégio Eleitoral, que derrotou Maluf. De presidente do PDS, alguns meses antes, Sarney era agora o candidato à Vice-Presidência da República na chapa de Tancredo. “É preciso que tudo mude…”

Quis o destino que Tancredo, vítima de um quadro de inflamação abdominal que negligenciou durante a campanha, não tomasse posse. Tancredo permitiu que o quadro se tornasse grave a agudo, e acabou obrigado a se internar no Hospital de Base. Foi o início de uma via crucis do qual não mais saiu com vida. No dia seguinte à internação, Sarney tomou posse como presidente interino. Tancredo morreu no dia 21 de abril. Sarney, ex-presidente do partido que apoiava a ditadura, era agora o presidente para por fim à ditadura. “É preciso que tudo mude…”Ao falar sobre esse período, Sarney já contou que ele mesmo sentia-se durante a campanha um intruso. Evitava comícios da oposição com medo de ser vaiado. Mas virou o presidente. Conduziu a redemocratização. Foi aliado de Fernando Henrique Cardoso até certo momento. Foi aliado de Luiz Inácio Lula da Silva. É aliado de Michel Temer. E, mesmo afastado oficialmente da política, ainda aparece relacionado à escolha de ministros.

Seja por qual razão for, Pedro Fernandes não será ministro do Trabalho. Segundo o noticiário, para o cargo irá Cristiane Brasil, a filha de Roberto Jefferson, aquele que denunciou o mensalão. Mas essa já é uma outra história…