Política

Rebelião no presídio mostra o alto risco da jogada de Temer


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Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil-EBC

Ao decretar intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro, o presidente Michel Temer resolveu declarar guerra ao crime organizado. E o crime organizado aceitou de pronto a declaração de guerra. Não hesitou nem um momento para reagir pesado e apresentar as suas armas, com a rebelião no presídio Milton Dias Moreira em Japeri, região da Baixada Fluminense. Logo nos primeiros dias da intervenção, o governo já é confrontado com a questão crucial: tem de fato cacife e estrutura para vencer a guerra que declarou?

A intervenção federal na segurança foi uma jogada de Temer visando matar dois coelhos com uma cajadada só. Retiraria de cena a reforma da Previdência, diante da constatação de que não tem votos para aprová-la, e entraria de sola no tema que todas as pesquisas hoje apontam como o de maior preocupação do cidadão: o crescimento do crime e da violência em praticamente todas as cidades do país. Foi, porém, uma jogada de altíssimo risco. Temer corre o risco de errar os dois coelhos e ainda acertar o cajado no próprio pé.

Temer flerta com o tema da segurança pública desde os primeiros dias de seu governo, após assumir com o impeachment de Dilma Rousseff. Desde o início, sempre esteve nas suas avaliações o anseio da sociedade por uma política de segurança mais efetiva. Mas também desde o início ele vinha sendo alertado pelos especialistas para o risco que corria ao entrar de forma mais aprofundada na questão. Esse debate começou a acontecer internamente quando o governo começou a esquadrinhar seu Plano Nacional de Segurança.

Cada uma das medidas anunciadas na ocasião passava anteriormente por uma bem medida estratégia na sua comunicação. Na qual se dizia que o governo passava a apoiar a segurança de forma mais efetiva, mas que ela continuava a ser responsabilidade dos estados. A crise financeira atingiu os estados de forma certeira. Endividados e com a criminalidade crescendo, diversos governadores começaram a ter grande dificuldade para lidar com o tema da segurança. E era cômodo para eles jogar a responsabilidade pelo tema no colo do governo federal. Começaram a chover pedidos de uso da Força Nacional, recursos para presídios, ajuda orçamentária. O governo começava a se enredar na rede que criara para si.

Os acontecimentos dos últimos dias mostraram que a estratégia até agora, de apoio mais efetivo e com o uso da Força Nacional e das Forças Armadas a pedido dos governadores, a tal Garantia da Lei e da Ordem, não vinha trazendo os resultados esperados. Daí, a ideia de uma ação mais efetiva no Rio, com a intervenção federal.

O problema para o governo é que, agora, passa a estar no seu colo mesmo a solução para o problema no Rio. Se o governador Luiz Fernando Pezão resistiu no começo, agora, na verdade, começa a se sentir aliviado. O maior problema que o Rio de Janeiro enfrenta agora já não é mais responsabilidade sua.

Como ficará o governo Temer se outros governadores agora começaram a achar também que pode ser uma ideia boa voluntariamente terem seu poder enfraquecido entregando nas mãos do governo suas estruturas de segurança? Governadores dos estados vizinhos ao Rio já procuraram o governo temendo que chefes do crime fujam para lá caso se acirre a guerra nos morros. Pedirão também ajuda ao governo? O governo poderá negar essa ajuda? E é melhor a situação de criminalidade em estados como o Ceará ou o Rio Grande do Norte? Se os governadores declararem não ter mais condições de lidar com o problema, o governo fará novas intervenções? O governo federal tem condições de assumir nacionalmente a segurança pública? As Forças Armadas têm efetivo e treinamento para assumir o combate à criminalidade?

Desde sexta-feira, fontes das Forças Armadas já têm admitido que não se prepararam com antecedência para a situação. O plano, por enquanto, segue sendo o mesmo que já era executado no Rio, dentro da Garantia da Lei e da Ordem. Ou seja, será modificado de forma improvisada, a partir das decisões agora do interventor, general Braga Nunes. Se não havia um planejamento prévio para essa primeira ação, como será lidar com a ampliação disso, se houver demanda semelhante de outros estados?

Se a jogada de Temer der certo, sem dúvida ele entra no páreo eleitoral. Terá apresentado soluções para uma das maiores tragédias brasileiras. Mas, se der errado, na melhor das hipóteses Temer fica no mesmo quadro de impopularidade em que já se encontra. Mas há, no entanto, um risco grande de piora. Se começarem a surgir episódios sangrentos. E se tais episódios sangrentos representarem derrota para o governo na sua intervenção? Será uma espécie de Vietnã dentro de casa.

 

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